
Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico á sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão ni porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh'alma está com o que vejo menos,
Com paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentído marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobre em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.
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Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico á sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão ni porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh'alma está com o que vejo menos,
Com paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentído marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobre em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.
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Excerto do poema Ode Marítima de Álvaro de Campos
Domingo, 1 de Fevereiro de 2009
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