quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

livros?


Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam. Não duro para metade da livraria. Deve certamente haver outras maneiras de salvar uma pessoa, se não estou perdido.


in Metro Saldanha

rosas


"Foi o tempo que dedicaste á tua rosa que fez a tua rosa tão importante".
Antoine de St Exupery in "O princepezinho"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O luto


Fazer luto por alguém ou de alguma coisa é das coisas mais difíceis desta vida. Uma afronta, pensamos por vezes.

Fazer luto de uma morte não implica somente a realização, em cada dia que passa, que a pessoa que partiu não vai telefonar hoje, nem amanhã, nem depois de amnhã, nem nunca mais. Que nunca mais a vamos poder abraçar. Ouvi-la, discutir, vê-la dormir, ficar doente e voltar a ficar boa. Essa, sim, é a parte mais complicada do luto. A realização de que nunca mais a vamos voltar a tocar, sentir, a ouvir quem nos deixou. A parte dos haveres pessoais é das que mais custa num momento quase imediato e quase sempre obrigatório após a perda. A escolha da roupa, que não pode - manda o bom senso - continuar nos armários à espera que aquele ou aquela que a vestia, já não puxará mais do casaco ou do vestido para o usar da próxima vez, que nunca mais terá lugar.

Lembro-me que, quando a minha avó morreu, e eu, esgotada, fui levada para longe (bem longe. Mas nunca é o suficiente) pela minha mãe - numa tentativa maternal de me proteger do que não tem protecção possível, de descansar, de atenuar a dor da perda, dos embates diários da ausência de telefonemas, de abraços, de discussões, de mensagens, dos almoços - e o meu pai ficou com uma casa cheia de recordações para esvaziar num mês. Quisa fazê-lo sozinho. Teimoso. Quis ficar um mês a recordar, a embrulhar o que não pode ser embrulhado, a esvaziar o que ficará sempre cheio. Nesse mês e sobre esse mês, nunca trocámos uma palavra sobre o que se passous naquele 4º andas durante esse período, nem no coração do meu pai. Como se tivesse havido um luto de palavras. Sei que nunca algo foi tão difícil para o meu pai como esta irónica (sim, porque nestas alturas parece que a vida se ri de nós, levando-nos aos limites da dor, da incompreensão, da não aceitação e da realização ou da ausência dela) missão de esvaziar sozinho - como quis - a casa onde nasceu, onde a família se juntava, de escolher cada vestido da minha avó para dar - cada um com tantas recordações! -, de embrulhar cada prato, de decidir o que fazer á cama, a tudo. já uma das recordações de pequenina que guardo com mais intensidade foi quando o António Paveia morreu em directo num acidente de avião - que pilotava ao aterrar na Madeira - e nós os quatro (eu, a Fernanda Paveia, a minha mãe e o meu pai) assistimos atónitos ao anúncio em directo da mesa de jantar do António. Quis a Fernanda que o meu pai ficasse - como amigos inseparáves que eram - com uma série de pullovers do Fernando. Foi assim que apareceu lá em casa, o pullover azul-escuro que nunca esquecerei, com riscas azul-bebé, que o meu pai usou até que ficasse cheio de buracos. Porque adorava o Fernando e, talvez, assim, ele ficasse (ainda) mais vivo nas nossas vidas, cada vez que vestia esse pullover.

É assim, o luto. O luto das roupas, dos móveis, dos livros, das pessoas. O luto imediato que somos forçados a fazer. Tal como uma separação, o luto que fazemos após uma separação de alguém que amamos ou amámos tanto obriga-nos a esvaziar rapidamente a divisão das recordações, dos bons momentos, dos menos bons momentos, do espaço partilhado numa tentativa de autopreservação. Porque se não esvaziamos - tantas vezes de formas completamente irracionais para os outros, e quantas vezes para nós! - as recordações, são elas que se apropiam de nós, não nos deixam respirar, como é essencial para continuar a viver. Claro que há quem esvazie mais rapidamente a gaveta das recordações - pelo menos aparentemente, à vista dos outros -, pois talvez essas pessoas sejam as mais susceptíveis de morrerem sufocadas pelo que não se pode esquecer num dia, nem meses, nem, às vezes, em anos. São essas pessoas que os outros estranham, que julgam insensíveis e "despachados", que correm maior risco de se afogar na mágoa. Pessoas, como eu, que querem a todo o custo sobreviver às recordações, vir ao de cima numa atitude de sobrevivência, para não serem puxadas por elas como que apnhadas num remoinho ou numa corrente forte e perigosa.

A forma como se faz o luto diz tudo sobre as pessoas. Sobre a forma como as pessoas lutam para poderem continuar. Mas, só vê quem quer ver.


Ana Enes in 7 anos de mau sexo

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

verdades inesperadas


decidi então, continuar com o meu blog.


Na minha juventude tinha a ideia de que a poesia seria um tipo de nuvem colorida cheio de metáforas e alusões mais ou menos difusas que, de certo modo, se podia gostar, mas que muito dificilmente seria relacionável com alguma visão imutável do mundo. Como arquitecto aprendi que, provavelmente, o contrário desta definição juvenil da poesia se aproxima mais da verdade.

Uma obra pode dispor de qualidades estéticas, quando as suas diversas formas e conteúdos se fundem num ambiente base forte que nos consegue tocar. Esta arte nada tem a ver com configurações interessantes ou com a originalidade. Trata de compreensão, bom senso e, sobretudo, de verdade. E se calhar a poesia é verdade inesperada. A sua presença rrequer silêncio. Conferir uma forma a esta expectativa silenciosa é a tarefa artística da arquitectura. Porque a própria obra nunca é poética. Apenas pode possuir estas qualidades delicadas que, em momentos especiais, nos deixam perceber o que antes nunca tínhamos percebido.


Peter Zumthor in Pensar a Arquitectura

domingo, 8 de março de 2009

Carta de despedida de Pessoa a Ofélia


Para finalizar o meu blog, resolvi escrever uma carta inventada por mim, de despedida de Fernando Pessoa a Ofélia no dia da sua morte:


Ofelinha querida,


Pensavas tu que me iria esquecer de te dizer um último adeus, um último adeus á pessoa que mais amei neste mundo?
És e serás sempre a minha mulher, a minha doce mulher que nunca me abandonou e me foi companheira de longas horas nesta minha curta vida que agora chega ao fim. Agora apenas posso ser amado pela morte, e magoar quem vai ficar neste mundo a chorar a minha ida para a outra vida.

Tenho curiosidade de como será a outra vida. Será como um sonho? Será como nadar num mar de água quente para toda a eternidade? Será uma seara de trigo sem fim a vista onde o sol nunca vai embora e a brisa que o vento sopra é fresca como os teus beijos em tempos foram, frescos e suaves na minha pele áspera e já velha.
Quero que tomes conta dos meus pequenos amigos, Caeiro, Campos e Reis, e recorda com eles tudo o que tiveres a recordar de mim, minha doce alma.

Coloco em ti o pouco que ainda me resta da minha vida, pois é por ti que ainda me encontro vivo. Por todos os momentos que os nossos corpos e bocas se procuraram e se encontraram, pelas horas que fiquei a ver a tua beleza através do vidro da tua janela...Nem um vidro te tira o dom de ser bela.
Meu amor, está na hora de ir, na hora de partir. Nunca pares de lutar pelo que queres e acredita em ti meu amor. Levo no meu coração todos os segundos que passei a teu lado, todas as vezes que te disse amo-te e levo também esta minha vida que ganhou brilho contigo a meu lado.


Do sempre teu, Fernando Pessoa.


Domingo, 8 de Março de 2009


a nostalgia da infância...

Porque esqueci quem fui quando criança?
Porque deslembra quem então era eu?
Porque não há nenhuma semelhança
Entre quem sou e fui?
A criança que fui vive ou morreu?
Sou outro? Veio um outro em mim viver?
A vida, que em mim flui, em que é que flui?
Houve em mim várias almas sucessivas
Ou sou um só inconsciente ser?

Fernando Pessoa Ortónimo

Todos nós com o passar do tempo acabamos por esquecer a criança que em tempos fomos, os castelos que construimos na areia com o maior dos cuidados já não são importantes, as possas de água por onde chapinhamos já nos dão pelo joelho e não dá mais para brincar lá, e acima de tudo as preocupações e opções de vida começam a ser outras. O nosso quotiano torna-se em rotinas impossiveis de quebrar, e as escolhas para o futuro são bastante importantes para sequer perdermos tempo a pensar no passado e na criança que fomos e na felicidade que transbordava dos nossos olhos nessa idade. Quando me lembro de mim criança, lembro-me quase sempre juntamente com a minha irmã, e as gargalhadas são muitas, os risos, as histórias, todos os natais as histórias se repetem mas é como se estivessem a ser ouvidas pela primeira vez. Fecho os olhos e mergulho naquelas memórias boas, que hoje me fazem ser quem sou, e não importa quem não gosta, importa sim quem gosta e de quem eu gosto. A nostalgia da infância é um sonho, uma mão que nos passam na cara para nos dar um miminho nos faz lembrar a nossa mãe quando tinhamos pesadelos e não conseguimos mais adormecer sem ser na cama dos "papás" rodeados de miminhos. Um sonho que ninguém se importa de viver, desde que a infância seja tão iluminada como os sonhos são, uma luz igual á luz da lua reflectida em todos os lagos do mundo. A luz da infância reflectida em todos os nossos dias que são rotinas que não têm fim á vista trás-nos um brilho ao nosso sorriso.
Domingo, 8 de Março de 2009

Gato que brincas na rua!


Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.


Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.


És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa Ortónimo

Hoje é para o meu miminho: para a minha Pantufa, a minha grande companheira de grandes horas de estudo, de grandes horas deitada na cama deprimida a fumar cigarros a ouvir música e a derramar lágrimas, a minha companheira quando estou sozinha em casa, aquela que dorme todas as noites comigo, talvez aquela que sente mais a minha falta quando não estou perto dela nem que seja para lhe dar festinhas no pescoço e ouvir o "ronronar" dela. Esta companheira é nada mais nada menos que a minha gata. O meu miminho amoroso que me acompanha desde os meus dois anos de idade. Ter a Pantufa perto de mim faz-me sentir em casa, faz-me sentir especial por saber que ela gosta tanto de mim que me segue por tudo quanto é canto em casa. É quase como o amor de Pessoa por Ofélia, quase como o amor do peixe pelo mar, é o meu amor por ela. E quando ela partir, não há ninguém que vá sentir mais a falta dela do que eu, dos dias em que já não vou ter que vir para casa dar-lhe comida em vez de ficar com os meus amigos, dos dias em que chegar a casa e não vou ouvir o miar dela ou ela não me irá receber ao all de entrada, dos dias em que não vou ter nada todas as noites a roubar-me a almofada. Sinto que esses dias estão próximos porque ela está velhinha e com problemas respiratórios mas se há alguém que nunca a vai abandonar sou eu, porque 15 anos de tanta cumplicidade como uma mãe para um filho são dignos de um companheirismo até ao último segundo da sua vida.

Amo-te Pantufa

Domingo, 8 de Março de 2009

sábado, 7 de março de 2009

O eu fragmentado


" A verdade é que o poeta não foge à fragmentação que o confronto com o seu ser plural acarreta, antes a procura, como único caminho para o encontro consigo mesmo".


Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-se em mim,
Ah! mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Viver a valer é das coisas mais dificéis de fazer na vida certamente. Viver de tal forma até nos cansarmos de tanta intensidade e de precisarmos de descansar, "oxalá que essa necessidade de descanso nunca venha ao nosso encontro".
Sábado, 7 de Março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Destino...

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispões, e ali ficamos;
Que a sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

Ricardo Reis
Quarta-Feira, 4 de Março de 2009

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Lago dos cisnes

Gosto porque gosto. Gosto de me sentar á beira de água e apreciar a calma! Na Suiça então é maravilhoso! Sentar-me á beira do lago com a minha irmã, com um maço de tabaco, uns oculos de sol e um dia de verão, ou mesmo um dia de inverno...É das coisas que mais gosto de fazer quando estou na Suiça. Adorava ser aqueles cisnes que quase me comem os pés para lhes dar pão ou apenas umas migalhinhas. E ver aqueles filhotes dos cisnes tão fofinhos peludos cinzentos que depois se tornam num branco puro que nos trás paz interior! O cisne é talvez um dos meus animais preferidos: pela sua beleza, pela sua alteza e pela sua pureza! Nem sempre se sabe dar valor a animais como este...Para muitos é apenas um pato. Mas para mim é um pato tão especial...
Quinta-Feira, 26 de Fevereiro de 2009

Charlie Chaplin

Apenas para postar aqui uma das coisas que mais gosto: filmes de Charlie Chaplin. O porquê de gostar tanto, não vale a pena dizer, porque quem gosta, sabe porquê é que gosta!

Quinta-Feira, 26 de Fevereiro de 2009

domingo, 8 de fevereiro de 2009

saudadeee

A saudade de trabalhar é muita!

A minha geração Orpheu

Romana, Cristina,Rita,Nadine,Diana

Sexta-Feira, dia 6 de Fevereiro. A minha geração Orpheu foi jantar fora. Fomos á Portugália do Cais do Sodré. Talvez a minha preferida, com uma fabulosa vista para o Tejo e com zona de fumadores. Entramos, pedimos uma mesa para cinco e lá nos sentamos. Veio a carta, escolhemos e enquanto esperávamos abrimos uma garrafa de Alandra. Começamos a conversar, quase como de costume sobre a escola. Cada uma acendeu um cigarro e demos inicio á conversa. Enquanto conversávamos os copos iam ficando vazios. A comida chegou, pedimos mais uma garrafa e o tema mudou, desta vez para a nossa vida a dois, ou seja, vida com namorado. O Romana, é a única que não tem, então lá teve que nos aturar a falar do amor que cada uma sente. Á medida que comíamos e os temas mudavam rapidamente, pus-me a pensar. Olhei para aquela mesa, onde estavam sentadas todas ou quase todas as minhas melhores amigas e pensei se haveria alguém mais sortudo que eu, por ter aquelas amizades, por ter a melhor geração Orpheu. Comecei a pensar...Eu seria Fernando Pessoa, apaixonado por Lisboa, pelo Chiado. A Diana seria Mário de Sá-Carneiro, pois tal como Fernando Pessoa, eu passo muitos dos meus dias á espera dela no Rossio. A Rita seria sem dúvida Almada Negreiros, que tal como Fernando Pessoa se revolta com muita coisa, e talvez um dia a Rita escreva o Manifesto Anti-Escola. A Romana será Amadeo de Souza-Cardoso, o porquê não sei bem dizer, mas talvez por ela ter travado uma grande amizade com a Rita que neste caso é Almada e depois connosco e resta a Cristina, que será Santa-Rita pintor. A noite foi ficando cada vez mais animada, com a ajuda do vinho branco Alandra mas diverti-me imenso juntamente com a minha geração Orpheu e o que é melhor do que ter quatro melhores amigas, ali todas sentadas á mesa comigo, conversando animadamente, fazendo brindes a tudo e a todos, principalmente a nós próprias! Quando saímos da Portugália, depois de pagar uma bonita conta de 50€ fomos até ao Cais do Sodré a pé, cantando na rua felizes, ali junto ao Tejo, o Tejo que certamente é a nossa revista Athena, pois ele nas suas inúmeras páginas já tem escrito muitas histórias desta minha geração Orpheu!


P.S. Gosto tanto destes jantares só nossos meninas!


Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidade.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia na loiça do vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que eu era um vaso vazio?


Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si-mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes á criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.

A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Álvaro de Campos
Quinta-Feira, 5 de Fevereiro de 2009

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Ode marítima


Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico á sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão ni porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh'alma está com o que vejo menos,
Com paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentído marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobre em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.
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Excerto do poema Ode Marítima de Álvaro de Campos

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

a vida é bela!

Mas como a vida é bela, não faz mal os dias chuvosos e feios e as rotinas chatas!


Terça-Feira, 27 de Janeiro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

bonita parede




Enquanto bebia o famoso café d'A brasileira e escrevia o texto para o meu blog, reparei que havia um pequeno texto escrito na parede onde é a porta da Brasileira (só quem está de dentro consegue ver). O texto era o seguinte:






Os olhos que se escondem no lugar. Isto é real: os rostos ondulantes na extensão do mistério: a luz a cor os sinais da ternura latejando: interior das casas sem coragem, isto é real e escorre pelas ruas como a névoa no fim do horizonte nas curvas do arco íris nas marés no suor de mulher adormecida isto é real e grita e continua: transfigura segredos permanece estremece as presenças as ausências abre portas ao dia e fecha á noite no côncavo das mãos: cria pureza.





Escrito na parede do café "A Brasileira" por António Paladar (penso ser este o nome pois a assinatura não está muito legivel).






Segunda-Feira, 26 de Janeiro de 2009