
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa Ortónimo
Hoje é para o meu miminho: para a minha Pantufa, a minha grande companheira de grandes horas de estudo, de grandes horas deitada na cama deprimida a fumar cigarros a ouvir música e a derramar lágrimas, a minha companheira quando estou sozinha em casa, aquela que dorme todas as noites comigo, talvez aquela que sente mais a minha falta quando não estou perto dela nem que seja para lhe dar festinhas no pescoço e ouvir o "ronronar" dela. Esta companheira é nada mais nada menos que a minha gata. O meu miminho amoroso que me acompanha desde os meus dois anos de idade. Ter a Pantufa perto de mim faz-me sentir em casa, faz-me sentir especial por saber que ela gosta tanto de mim que me segue por tudo quanto é canto em casa. É quase como o amor de Pessoa por Ofélia, quase como o amor do peixe pelo mar, é o meu amor por ela. E quando ela partir, não há ninguém que vá sentir mais a falta dela do que eu, dos dias em que já não vou ter que vir para casa dar-lhe comida em vez de ficar com os meus amigos, dos dias em que chegar a casa e não vou ouvir o miar dela ou ela não me irá receber ao all de entrada, dos dias em que não vou ter nada todas as noites a roubar-me a almofada. Sinto que esses dias estão próximos porque ela está velhinha e com problemas respiratórios mas se há alguém que nunca a vai abandonar sou eu, porque 15 anos de tanta cumplicidade como uma mãe para um filho são dignos de um companheirismo até ao último segundo da sua vida.
Amo-te Pantufa
Domingo, 8 de Março de 2009
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