decidi então, continuar com o meu blog.
Na minha juventude tinha a ideia de que a poesia seria um tipo de nuvem colorida cheio de metáforas e alusões mais ou menos difusas que, de certo modo, se podia gostar, mas que muito dificilmente seria relacionável com alguma visão imutável do mundo. Como arquitecto aprendi que, provavelmente, o contrário desta definição juvenil da poesia se aproxima mais da verdade.
Uma obra pode dispor de qualidades estéticas, quando as suas diversas formas e conteúdos se fundem num ambiente base forte que nos consegue tocar. Esta arte nada tem a ver com configurações interessantes ou com a originalidade. Trata de compreensão, bom senso e, sobretudo, de verdade. E se calhar a poesia é verdade inesperada. A sua presença rrequer silêncio. Conferir uma forma a esta expectativa silenciosa é a tarefa artística da arquitectura. Porque a própria obra nunca é poética. Apenas pode possuir estas qualidades delicadas que, em momentos especiais, nos deixam perceber o que antes nunca tínhamos percebido.
Peter Zumthor in Pensar a Arquitectura
Nenhum comentário:
Postar um comentário